O Porto de Itapoá, em Santa Catarina, recebeu novos guindastes e segue em seu projeto de expansão do Terminal de Contêineres para operar navios de grande porte. Com a incorporação de um guindaste de cais STS e dois guindastes de pórtico sobre pneus (RTG), o terminal amplia sua capacidade operacional e se aproxima do padrão maxi‑neopanamax, somando modernização de equipamentos e obras de infraestrutura.
Expansão do Terminal de Itapoá e novos equipamentos
A expansão do Terminal de Itapoá deu mais um passo com a chegada de um guindaste de cais STS (ship‑to‑shore) e dois guindastes de pórtico sobre pneus (RTG). A empresa ZPMC entregou os equipamentos já montados, a bordo do navio Zhen Hua 28.
Com essa incorporação, a estrutura portuária passa a contar com quatro guindastes STS projetados para operar embarcações de até 65 metros de boca, além de outros quatro guindastes menores. Esses equipamentos permitem maior alcance e produtividade nas operações de carga e descarga de contêineres, especialmente em navios de maior dimensão.
Essa etapa faz parte de um plano mais amplo de modernização do Terminal de Contêineres de Itapoá, alinhado ao padrão maxi‑neopanamax, voltado a receber navios com maior capacidade de carga.
Padrão maxi‑neopanamax e obras de dragagem
O plano de expansão do Terminal de Contêineres de Itapoá inclui, além dos novos guindastes, obras de dragagem para aprofundar o canal de navegação para 16 metros. Dragagem é o processo de remoção de sedimentos do fundo do canal para permitir o acesso seguro de embarcações com maior calado (profundidade que o navio atinge na água).
Ao buscar atender ao padrão maxi‑neopanamax, o terminal tende a se qualificar para receber navios maiores e com mais contêineres por viagem, o que pode aumentar a relevância do porto nas rotas nacionais e internacionais. A combinação entre novos guindastes STS e RTG e o aprofundamento do canal é central nessa expansão do Terminal de Itapoá.
Estrutura societária e crescimento da movimentação
O Terminal de Contêineres de Itapoá é uma parceria entre a APM Terminals, subsidiária portuária da Maersk, que detém 30% de participação, e um conglomerado local formado pelo grupo industrial Battistella e pela empresa de investimentos em logística LOGZ, que somam os outros 70%.
Localizado no litoral norte de Santa Catarina, o terminal movimentou 1,5 milhão de TEUs em 2025, com aumento de 25% em relação ao ano anterior. TEU é a sigla para “Twenty-foot Equivalent Unit”, unidade padrão que representa um contêiner de 20 pés, usada para medir a movimentação de contêineres.
Esses dados indicam um crescimento relevante do volume de cargas em Itapoá, em linha com a estratégia de modernização e ampliação da infraestrutura do terminal.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Para trabalhadores marítimos e aquaviários embarcados, a expansão do Terminal de Itapoá pode significar maior fluxo de navios de grande porte na costa catarinense e no litoral norte do estado. É razoável esperar aumento de escalas e maior exigência de cumprimento rígido de janelas de atracação, o que pode impactar rotinas de navegação, tempos de espera e organização de viagens.
Para trabalhadores portuários ligados à operação de guindastes e equipamentos de pátio, a chegada de novos guindastes STS e RTG tende a trazer mudanças de rotina, com mais uso de tecnologia e necessidade de capacitação contínua. Embora o texto não detalhe programas de treinamento, é um ponto de atenção acompanhar como a empresa organizará a adaptação às novas máquinas e ao padrão maxi‑neopanamax.
Despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior em Santa Catarina podem sentir efeitos na forma de maior oferta de janelas de embarque e desembarque e possível diversificação de rotas e serviços de linha que utilizem Itapoá como porto de escala. Com o aumento de 25% na movimentação de TEUs em 2025, é razoável esperar maior volume de processos, dossiês, coordenação logística e interface com armadores e terminais.
Para o entorno logístico (transportadores rodoviários, operadores de armazéns e retroáreas), o avanço da expansão do Terminal de Itapoá pode resultar em mais fluxo de caminhões, necessidade de melhor planejamento de janelas de recebimento e entrega de contêineres e maior atenção à sincronização entre porto, terminais retroportuários e clientes.
Pontos de atenção
Um primeiro ponto de atenção é acompanhar o andamento das obras de dragagem para 16 metros, já que a plena operação de navios de grande porte depende dessa adequação do canal de navegação. Outro aspecto relevante é observar como o terminal irá organizar a operação dos quatro guindastes STS e dos guindastes menores, especialmente quanto à segurança operacional, manutenção e dimensionamento de equipes. Também merece monitoramento a evolução do volume de TEUs movimentados em Itapoá, para avaliar se o crescimento se mantém em linha com a expansão do terminal. Para trabalhadores embarcados, é importante ficar atento a possíveis mudanças em escalas, tempos de espera e perfil de navios que passam a operar na região. Já para profissionais de comércio exterior e despachantes, vale acompanhar como as companhias de navegação e o próprio terminal vão ajustar serviços, prazos e rotinas documentais diante do aumento de capacidade e da expansão do Terminal de Itapoá.
