O Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, encerrou 2025 com 17,5 milhões de toneladas movimentadas, um crescimento de 3% em relação ao ano anterior e o maior volume em 70 anos de operações. Com esse desempenho, o terminal consolidou sua posição como principal porto catarinense em volume movimentado, reforçando a importância da movimentação de cargas no Porto de São Francisco do Sul para a economia regional.
Porto de São Francisco do Sul registra maior volume em 70 anos
De acordo com a administração do porto, o ano de 2025 marcou um recorde histórico de movimentação de cargas no Porto de São Francisco do Sul. Foram 17,5 milhões de toneladas ao longo do ano, representando um aumento de 3% na comparação com o resultado do ano anterior.
Segundo a autoridade portuária, esse é o maior volume já registrado desde o início das operações do terminal, há sete décadas. Em termos práticos, o dado indica maior fluxo de navios, operações de carga e descarga mais intensas e um uso mais intenso da infraestrutura portuária.
Crescimento acumulado na movimentação de cargas
Nos últimos quatro anos, a movimentação de cargas no Porto de São Francisco do Sul apresentou crescimento acumulado de 39%. Nesse período, o volume passou de 12,6 milhões de toneladas em 2022 para 17,5 milhões de toneladas em 2025, conforme informado pela autoridade portuária.
Com esses números, o porto consolidou sua posição como principal porto de Santa Catarina em termos de volume movimentado. Esse desempenho tende a reforçar o papel do terminal nas cadeias de exportação de grãos e de importação de insumos industriais e agrícolas.
Perfil das exportações: soja e milho lideram
Do total registrado em 2025, as exportações responderam por 55% da movimentação, somando 9,6 milhões de toneladas. Dentro desse volume, destacam-se 6,2 milhões de toneladas de soja e 2,9 milhões de toneladas de milho.
Esse perfil confirma o Porto de São Francisco do Sul como um corredor logístico importante para o escoamento da produção agrícola, especialmente de grãos. Em termos operacionais, isso significa mais janelas de atracação para navios graneleiros, maior demanda por armazenagem e movimentação de carga a granel sólida.
Importações e cabotagem: siderurgia e fertilizantes em destaque
As importações e demais cargas de entrada representaram 45% do volume total movimentado em 2025, somando 7,9 milhões de toneladas. Dentro desse grupo estão incluídos produtos siderúrgicos transportados por cabotagem, em viagens de uma empresa privada que arrenda área no porto público, além de aço importado.
Somados, esses produtos siderúrgicos alcançaram 4,3 milhões de toneladas no ano. Já os fertilizantes movimentados pelo porto atingiram 3,1 milhões de toneladas, reforçando o papel do terminal como ponto de recepção de insumos essenciais para o agronegócio.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Para trabalhadores marítimos e aquaviários embarcados, o aumento da movimentação de cargas no Porto de São Francisco do Sul pode significar maior frequência de viagens, mais operações de atracação e desatracação e um fluxo mais contínuo de escalas. Em termos práticos, tende a haver intensificação de janelas operacionais, com impacto direto em jornadas, períodos de espera e organização de folgas.
Para trabalhadores fluviais e offshore que se conectam à cadeia logística do porto, o crescimento do volume movimentado também pode se refletir em maior demanda por apoio marítimo, rebocagem, praticagem e serviços de apoio a navios graneleiros e cargueiros. Um ponto a observar é como essas demandas adicionais serão distribuídas entre empresas e equipes, afetando ritmo de trabalho e necessidade de qualificação específica.
No caso de despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior em Santa Catarina, o recorde de movimentação tende a se traduzir em mais processos, dossiês, registros de operações e acompanhamento de cargas. O aumento nas exportações de grãos e nas importações de aço e fertilizantes pode ampliar o volume de documentação, exigindo atenção a prazos, padrões de conformidade e uso de sistemas eletrônicos de controle.
Outro aspecto relevante é que o porto, ao se consolidar como principal terminal em volume no estado, tende a concentrar ainda mais fluxos que antes poderiam estar distribuídos entre outros portos da região. Para os trabalhadores, isso pode representar novas oportunidades de emprego e prestação de serviços, mas também maior pressão por eficiência, cumprimento de metas e ajustes em escalas de trabalho.
Pontos de atenção
Um primeiro ponto de atenção para os trabalhadores é acompanhar como a administração portuária e as empresas operadoras vão organizar as escalas diante do crescimento da movimentação de cargas no Porto de São Francisco do Sul. A forma como forem geridas as janelas de operação, o tempo de atracação e as filas de navios pode impactar diretamente o tempo de permanência a bordo, horas extras e períodos de descanso.
Além disso, é importante observar se o aumento do volume movimentado virá acompanhado de investimentos em infraestrutura, equipamentos e capacitação. Em termos práticos, melhorias em berços, pátios, armazéns e sistemas de gestão podem reduzir gargalos operacionais e ampliar a segurança das operações, o que interessa diretamente a quem trabalha embarcado, em terra ou na interface porto–navio.
Outro aspecto a monitorar é a evolução da carga de trabalho administrativa para despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior. Com mais exportações de soja e milho e maior entrada de aço e fertilizantes, tende a haver mais operações simultâneas, exigindo organização, atualização constante em normas e atenção redobrada a prazos de desembaraço e parametrizações.
Por fim, vale acompanhar eventuais mudanças em contratos, políticas de terceirização de serviços e condições de trabalho decorrentes da consolidação do porto como principal terminal em volume de Santa Catarina. Mudanças de perfil de carga, ampliação de áreas arrendadas e ajustes em modelos operacionais podem afetar rotinas, ambientes de trabalho e necessidades de qualificação profissional, exigindo monitoramento permanente por parte dos trabalhadores e de suas entidades representativas.
