Movimentação cresce nos portos do Sul em novembro de 2025

janeiro 19, 2026

A movimentação de cargas nos portos organizados da região Sul alcançou 11,4 milhões de toneladas em novembro de 2025, alta de 26,08% em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado foi puxado principalmente por granéis sólidos e carga conteinerizada, segundo dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) com base no Estatístico Aquaviário da Antaq. Para trabalhadores portuários e do comércio exterior em Santa Catarina, esse cenário indica mais operações, mais atracações e pressão maior sobre prazos e janelas de navios.

Movimentação de cargas nos portos do Sul em novembro de 2025

Em novembro de 2025, os portos organizados da região Sul movimentaram 11,4 milhões de toneladas. Esse volume representa crescimento de 26,08% em comparação com novembro de 2024, mostrando uma expansão relevante do fluxo de cargas na costa sul.

De acordo com o MPor, com base em dados da Antaq, o desempenho geral foi influenciado principalmente pelos segmentos de granel sólido e de carga conteinerizada. Esses dois tipos de carga costumam concentrar grande parte das operações de exportação e importação, o que impacta diretamente a rotina de terminais, armadores, despachantes aduaneiros e trabalhadores embarcados.

Desempenho por tipo de carga

Os granéis sólidos responderam por 6,7 milhões de toneladas movimentadas no mês, com crescimento de 28,56% frente a novembro de 2024. Esse grupo inclui, entre outros, cargas como grãos e produtos agrícolas embarcados a granel, que demandam grande uso de silos, correias transportadoras e operações intensivas de carregamento.

Já a carga conteinerizada alcançou 2,9 milhões de toneladas, com alta de 29,80% no período. A carga em contêineres envolve, em geral, produtos industrializados, bens de consumo e insumos diversos, exigindo controle documental mais detalhado, gestão de prazos de free time, armazenagem e planejamento de gate.

A carga geral, que somou 1,2 milhão de toneladas, cresceu 21,15% em relação a novembro de 2024. Esse tipo de carga costuma abranger mercadorias que não se enquadram como granel ou contêiner, muitas vezes com operações mais específicas de estiva e amarração.

Na direção oposta, os granéis líquidos, com 585 mil toneladas movimentadas, registraram queda de 1,62%. Trata-se de um segmento que inclui combustíveis, químicos e outros líquidos, operados por meio de dutos, braços de carregamento e tanques, que exigem rígidos protocolos de segurança.

Principais portos do Sul e perfil de produtos

Entre os portos organizados da região Sul, o Porto de Paranaguá liderou a movimentação, com 5,9 milhões de toneladas em novembro de 2025. Em seguida aparece o Porto do Rio Grande, com 2,7 milhões de toneladas, e o Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, com 1,6 milhão de toneladas no período.

Considerando os tipos de cargas movimentadas na região, os dados apontam 2,9 milhões de toneladas em contêineres. Os fertilizantes somaram 1,7 milhão de toneladas, enquanto milho e soja registraram 1,5 milhão de toneladas cada. Já o açúcar chegou a 715 mil toneladas movimentadas em novembro de 2025.

Esses produtos estão diretamente ligados a correntes de comércio de exportação e importação que envolvem armadores, operadores portuários, terminais retroportuários, transportadores e profissionais de despacho aduaneiro, com reflexos na demanda por serviços logísticos e de documentação.

Longo curso, cabotagem e navegação interior

A maior parte da movimentação nos portos do Sul em novembro de 2025 se concentrou no longo curso, isto é, na navegação entre portos brasileiros e portos estrangeiros. Nesse tipo de operação, o volume atingiu 9,9 milhões de toneladas, com crescimento de 27,76% em comparação com novembro de 2024.

Na cabotagem, que é a navegação entre portos dentro do próprio país, foram transportadas 608 mil toneladas, com alta de 10,82%. Já a navegação interior, que ocorre em rios, lagos e hidrovias interiores, movimentou 283 mil toneladas, um aumento de 13,63% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Esse aumento em diferentes modalidades de navegação tende a refletir em mais escalas de navios, maior circulação de barcaças e maior coordenação entre terminais terrestres, operadores logísticos e equipes de bordo.

O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC

Para trabalhadores portuários, marítimos, aquaviários e profissionais do comércio exterior em Santa Catarina, a expansão da movimentação de cargas nos portos do Sul, com destaque para o Porto de São Francisco do Sul, pode significar mais demanda operacional. Em termos práticos, isso pode se traduzir em mais turnos de trabalho, mais janelas de atracação e maior pressão por eficiência na movimentação de contêineres e granéis sólidos.

Um ponto a observar é que o crescimento na carga conteinerizada tende a aumentar o volume de processos aduaneiros, documentação de embarque, registros em sistemas e coordenação logística entre terminais, armadores e transportadoras. Despachantes aduaneiros e equipes de agenciamento marítimo podem perceber aumento na carga de trabalho, com mais dossiês, liberações e acompanhamento de cargas sensíveis a prazo.

Além disso, o avanço do longo curso indica maior interação com armadores estrangeiros, contratos internacionais de transporte e normas específicas de segurança e compliance. Trabalhadores embarcados, oficiais de convés, máquinas e tripulações de apoio podem encontrar rotinas mais intensas de manobras, operações de carga e descarga e cumprimento de janelas de navio mais apertadas.

No caso da cabotagem e da navegação interior, o crescimento, ainda que em menor escala que o longo curso, pode estimular rotas complementares de abastecimento e distribuição doméstica. Isso tende a abrir espaço para mais operações entre portos brasileiros, o que interessa particularmente a trabalhadores que atuam em linhas regulares de cabotagem e na integração entre transporte marítimo, rodoviário e ferroviário.

Pontos de atenção

Um primeiro ponto de atenção é que o aumento de volume não vem automaticamente acompanhado de melhoria nas condições de trabalho. É importante acompanhar se o crescimento da movimentação de cargas nos portos do Sul se reflete em dimensionamento adequado de equipes, respeito a jornadas, segurança operacional e investimentos em treinamento.

Além disso, o forte crescimento da carga conteinerizada e dos granéis sólidos pode pressionar a infraestrutura existente em terminais e acessos terrestres. Na prática, trabalhadores podem enfrentar aumento de filas, maior rotatividade de equipamentos e necessidade de adaptação a novos procedimentos operacionais e tecnológicos.

Outro aspecto relevante é observar se a elevação da movimentação no longo curso e na cabotagem vem acompanhada de maior previsibilidade nas escalas de navios e nas janelas de atracação. Alterações frequentes de programação impactam diretamente a organização de turnos, folgas e planejamento de tripulações, equipes de bordo e de terra.

Por fim, para trabalhadores em Santa Catarina, vale acompanhar de perto os dados específicos do Porto de São Francisco do Sul e de outros terminais do estado, avaliando como a tendência regional se materializa localmente em termos de oportunidades, exigências de qualificação e negociações coletivas. O monitoramento contínuo dessas informações ajuda a antecipar impactos na rotina e a fortalecer a atuação sindical em defesa de condições de trabalho justas diante do aumento da movimentação portuária.

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