O Grupo Solaris, administrador do Terminal Portuário Santa Catarina (Tesc), em São Francisco do Sul (SC), informou que iniciou a ampliação do píer do Tesc com a colocação da primeira estaca. O investimento anunciado é de R$ 100 milhões e a empresa prevê a conclusão da obra em 2026.
Segundo a companhia, após a obra o terminal poderá receber dois navios ao mesmo tempo e também embarcações de maior porte. A empresa afirmou ainda que esta primeira fase foi planejada para não afetar as atividades do terminal.
O que foi anunciado sobre a ampliação do píer do Tesc
De acordo com o Grupo Solaris, a obra de ampliação do píer do Tesc integra a primeira etapa de um plano de modernização e expansão do terminal. A companhia informou que, além deste investimento inicial, há previsão de mais R$ 500 milhões em projetos que estão em análise pelo Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor).
A empresa declarou que espera a aprovação desses projetos para o início de maio de 2026. Esses investimentos fazem parte do plano de expansão mencionado no anúncio.
Relação com a dragagem da Baía da Babitonga e navios maiores
Segundo a Solaris, a ampliação do píer busca aproveitar os ganhos com a dragagem da Baía da Babitonga, que deve elevar o calado do canal de acesso para 16 metros. Em termos simples, calado é a profundidade necessária para um navio navegar com segurança, considerando o quanto ele “afunda” na água.
Com isso, a expectativa apresentada é receber navios com maior capacidade de carga e classes superiores às atuais embarcações Panamax. Na prática, isso aponta para um cenário de maior escala de operação no acesso e no cais, conforme a evolução das condições de navegação e infraestrutura.
Quais cargas podem ganhar capacidade de movimentação
O Grupo Solaris afirmou que espera aumentar a capacidade de movimentação principalmente nos segmentos de fertilizantes, soja, milho, farelo, açúcar e outros granéis sólidos. Além disso, citou carga geral, produtos siderúrgicos e cargas de projeto (itens normalmente de grande porte e complexidade logística).
Esses perfis de carga costumam demandar coordenação fina entre operações de acostagem, estiva, armazenagem e logística terrestre, o que torna relevante acompanhar como a ampliação será integrada às rotinas de operação e segurança.
Cronograma e etapas: o que a empresa disse sobre impactos na operação
O Grupo Solaris informou que a primeira fase de expansão, com a obra de ampliação do píer, não afetará as atividades do terminal. Também declarou que a segunda etapa, com início previsto para o segundo semestre de 2026, foi planejada para ocorrer sem impactos relevantes na operação do Tesc.
Segundo a empresa, essa segunda etapa envolve investimentos para ampliar a capacidade de armazenagem, melhorias na recepção rodoviária e em sistemas de movimentação de cargas.
Contrato de arrendamento e compromissos com a Autoridade Portuária
De acordo com o anúncio, a obra no píer já estava prevista no processo de renovação do contrato de arrendamento e foi um dos compromissos assumidos pelo Tesc com a Autoridade Portuária de São Francisco do Sul.
A empresa também informou que concluiu em janeiro a compra do controle acionário do terminal e da Agribrasil, e esclareceu que o Grupo Solaris é controlado pela Oman Investment Authority, fundo soberano do sultanato de Omã.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Em termos práticos, a ampliação do píer do Tesc pode indicar um período de transição com mudanças graduais na dinâmica de atracação, principalmente se a capacidade de receber dois navios simultaneamente se confirmar conforme o projeto. Isso pode exigir maior integração entre equipes, planejamento de janelas operacionais e coordenação de segurança, especialmente em operações com granéis e cargas de maior complexidade.
Além disso, a perspectiva de receber navios maiores tende a elevar a exigência de rotinas de segurança e comunicação a bordo e em terra, porque operações em navios de maior porte podem demandar ajustes em procedimentos de amarração, acesso e movimentação no costado, sempre conforme os padrões e regras aplicáveis de cada operação.
Outro efeito possível é na logística do entorno: se a segunda etapa realmente ampliar armazenagem e recepção rodoviária, isso pode redistribuir fluxos de caminhões, filas e horários de pico. Para quem atua embarcado, em rebocadores, apoio portuário, ou em atividades ligadas ao comércio exterior, um ponto a observar é como o aumento de capacidade se traduz em mais escalas, mais previsibilidade ou, ao contrário, picos operacionais em determinados períodos.
Pontos de atenção
Um primeiro ponto é acompanhar como o terminal vai organizar a convivência entre obra e operação, já que a empresa afirmou que não haverá impacto nas atividades, mas mudanças de layout, áreas isoladas e rotas internas podem influenciar rotinas de segurança. Além disso, vale observar a evolução da dragagem na Baía da Babitonga e como o novo calado, citado como 16 metros, se conecta na prática com a chegada de navios maiores e com as condições de acesso e manobra.
Outro aspecto é o cronograma da segunda etapa a partir do segundo semestre de 2026 e o que isso significa para armazenagem, recepção rodoviária e sistemas de movimentação, já que essas frentes costumam refletir diretamente em tempo de operação e interface entre equipes. Por fim, é importante ficar atento às comunicações oficiais sobre procedimentos e treinamentos, porque a ampliação de capacidade e a diversificação de cargas podem exigir padronização mais rígida de rotinas para evitar incidentes e retrabalhos.
