Frase-chave principal (SEO): recorde na balança comercial brasileira
O Brasil fechou 2025 com recorde na balança comercial, reforçando o papel estratégico dos portos para a economia e para o comércio exterior. Dados oficiais mostram crescimento tanto das exportações quanto das importações, com 95% das operações passando pelos portos. Para trabalhadores marítimos, aquaviários, offshore e de comércio exterior em Santa Catarina, esses números indicam um ambiente de maior movimentação logística e possíveis impactos em rotinas de trabalho e demanda por serviços.
## Recorde na balança comercial brasileira em 2025
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), o Brasil registrou, em 2025, superávit de 68,2 bilhões de dólares em sua balança comercial. Esse é o maior valor desde o início da série histórica, em 1989, e marca o terceiro ano consecutivo de saldo positivo.
No total, a soma de exportações e importações atingiu 629 bilhões de dólares em 2025. Desse montante, 95% das operações passaram pelos portos, o que reforça a centralidade da infraestrutura portuária na logística do comércio exterior brasileiro.
## Exportações e importações em alta
As exportações somaram 348,676 bilhões de dólares em 2025, com aumento de 3,5% em relação a 2024. Já as importações chegaram a 280,4 bilhões de dólares, alta de 6,7% frente ao ano anterior.
O valor importado em 2025 ficou quase 8 bilhões de dólares acima do recorde anterior, registrado em 2022. Isso indica um movimento mais intenso de entrada de insumos e mercadorias no país, o que, por consequência, tende a pressionar a cadeia logística e a operação portuária.
Esse cenário de recorde na balança comercial brasileira combina crescimento das vendas externas com aumento significativo das compras do exterior, o que amplia o fluxo de cargas em ambos os sentidos.
## Estratégia de novos mercados e cenário geopolítico
O vice-presidente da República e ministro da Indústria, do Comércio e de Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que os resultados decorrem da conquista de novos parceiros comerciais. Segundo ele, essa estratégia buscou compensar dificuldades nas vendas para os Estados Unidos, decorrentes de sobretaxas a produtos brasileiros impostas pelo presidente americano Donald Trump.
De acordo com a fala do ministro, a busca de novos mercados e a ampliação de mercados já existentes foram uma forma de enfrentar um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas. Em termos práticos, isso significa diversificação de destinos das exportações, com potencial redução da dependência de um único país ou bloco.
(Análise) Para os trabalhadores do comércio exterior, essa diversificação costuma significar maior variedade de rotas, tipos de carga e exigências documentais, técnicas e regulatórias. Isso pode demandar atualização constante em normas, acordos comerciais e requisitos de transporte.
## Crescimento da movimentação portuária
O balanço do Ministério de Portos e Aeroportos indica que o setor portuário deve fechar 2025 com movimentação total de 1,34 bilhão de toneladas de cargas. Esse volume representa crescimento de 3,25% em relação ao ano anterior.
Alguns portos se destacaram:
– Porto de Santos (SP): crescimento de 29% na movimentação de janeiro a outubro, alcançando 119,4 milhões de toneladas.
– Porto de Paranaguá (PR): alta de 13,5% no período, somando 55,2 milhões de toneladas.
– Porto do Itaqui (MA), no chamado Arco Norte: aumento de 7,6%, com 31,4 milhões de toneladas, principalmente de grãos e minérios.
Esses dados mostram que o recorde na balança comercial brasileira se apoia em uma expansão consistente do volume de cargas movimentadas nos principais corredores logísticos do país.
## Infraestrutura portuária como diferencial competitivo
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, atribuiu os resultados do comércio exterior brasileiro à infraestrutura portuária. Na avaliação dele, essa estrutura se tornou um diferencial competitivo do país.
Segundo o ministro, o sistema portuário oferece hoje condições para escoar a produção nacional para o mercado internacional e, ao mesmo tempo, receber insumos e mercadorias que abastecem a indústria e o consumo interno.
(Análise) Em termos de competitividade, infraestrutura portuária adequada tende a reduzir tempo de operação, custos logísticos e risco de atrasos, fatores que impactam diretamente fretes marítimos, planejamento de escalas e prazos de entrega.
## O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Para trabalhadores marítimos, aquaviários, offshore, despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior em Santa Catarina, o cenário de recorde na balança comercial brasileira e de crescimento da movimentação portuária nacional pode trazer alguns desdobramentos.
Em primeiro lugar, é razoável esperar aumento ou manutenção de um nível elevado de fluxo de cargas nos portos da região Sul, ainda que o texto traga dados específicos apenas de Santos, Paranaguá e Itaqui. Como a maior parte das operações de comércio exterior do país passa pelos portos, qualquer expansão nacional tende a refletir, em alguma medida, na rotina operacional de terminais em Santa Catarina.
Para trabalhadores embarcados e aquaviários, o crescimento do comércio exterior pode significar mais viagens, maior rotatividade de escalas e pressão por cumprimento de janelas de atracação e desatracação. Isso pode exigir atenção redobrada à gestão de jornada, segurança a bordo e condições de trabalho, especialmente em períodos de pico de movimentação.
Para despachantes aduaneiros e profissionais do comércio exterior, a diversificação de mercados mencionada pelo governo pode resultar em maior variedade de procedimentos, documentos e exigências regulatórias por país de destino ou origem. Pode haver necessidade de atualização constante em normas, classificação de mercadorias, regimes aduaneiros e prazos de embarque e desembaraço.
Além disso, a valorização da infraestrutura portuária como diferencial competitivo tende a reforçar investimentos em tecnologia, automação e melhoria de processos. Para os trabalhadores, isso pode gerar oportunidades de qualificação e, ao mesmo tempo, pontos de atenção em relação a mudanças de função, novas exigências de capacitação e reestruturação de equipes.
Por fim, a elevação das importações sugere possível aumento do volume de cargas destinadas ao abastecimento da indústria e ao consumo interno. Na prática, isso pode significar mais operações de descarga, armazenagem, conferência e transporte interno, com impacto direto na rotina de trabalhadores de terminais, operadores portuários e cadeias logísticas associadas.
## Pontos de atenção
Um primeiro ponto de atenção é acompanhar como o crescimento do comércio exterior e da movimentação portuária será distribuído entre os diferentes portos brasileiros, em especial os de Santa Catarina, para entender se haverá aumento efetivo de demanda local por mão de obra e serviços. Outro aspecto importante é observar se os ganhos de competitividade pela infraestrutura portuária virão acompanhados de investimentos em condições de trabalho, segurança e formação profissional. Também merece monitoramento a evolução da diversificação de mercados, pois cada novo destino ou origem pode trazer mudanças regulatórias e operacionais que impactam diretamente a rotina dos trabalhadores. Além disso, é relevante ficar atento a possíveis picos de movimentação que pressionem jornadas, escalas e prazos, exigindo atuação sindical focada em saúde, segurança e equilíbrio entre produtividade e direitos. Por fim, acompanhar dados oficiais e balanços periódicos dos ministérios e das autoridades portuárias se torna um ponto de atenção para embasar negociações, planejamento de carreira e defesa de melhores condições de trabalho no setor portuário e de comércio exterior em Santa Catarina.
