Exportadores de café apontam prejuízos com logística portuária e alertam para impactos no comércio exterior

janeiro 27, 2026

Exportadores de café denunciam que a infraestrutura portuária defasada nos principais portos do país gerou um gasto extra de R$ 66,1 milhões em 2025, apenas em custos ligados ao não embarque de cargas. O alerta, feito pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), reforça que o problema não atinge só o café, mas todas as cargas conteinerizadas, e pode afetar diretamente a competitividade do comércio exterior brasileiro.

Exportadores de café relatam prejuízos com infraestrutura portuária

De acordo com balanço divulgado pelo Cecafé, os exportadores de café tiveram um gasto adicional de R$ 66,1 milhões em 2025, relacionado ao não embarque de cargas por problemas na infraestrutura dos principais portos do Brasil. Segundo a entidade, caminhões em filas, pátios lotados, falta de berços de atracação, rolagem de cargas, atrasos e alterações de escalas de navios geraram despesas milionárias com armazenagem extra, pré-stacking e detentions.

O diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, afirmou que esses obstáculos logísticos afetam diretamente o escoamento das exportações e o cumprimento de contratos. Na avaliação dele, os custos adicionais acabam reduzindo margens, pressionando a competitividade e gerando insegurança para o planejamento das operações.

Logística portuária brasileira e seus limites

Na visão do Cecafé, a atual logística portuária brasileira dá sinais de esgotamento, especialmente no segmento de cargas conteinerizadas. Heron criticou a forma como autoridades portuárias e governamentais divulgam dados de movimentação geral recorde nos portos, o que, segundo ele, dificulta a compreensão dos gargalos estruturais e dos prejuízos enfrentados por diversos setores exportadores.

Ele destacou que os resultados positivos do comércio exterior como um todo podem mascarar problemas que atingem o dia a dia das operações, em especial nos terminais que trabalham com contêineres. Assim, mesmo em um cenário de volume elevado, os exportadores podem enfrentar atrasos, custo extra e incerteza na programação dos embarques.

Problemas atingem outras cadeias além do café

Heron ressaltou que o cenário não é exclusivo do café. Segundo ele, lideranças de outros segmentos, como açúcar e algodão, entre outros, relatam as mesmas dificuldades nos terminais de contêineres. Em termos práticos, isso indica que o problema é mais amplo e atinge toda a logística de cargas conteinerizadas, o que inclui diferentes cadeias do agronegócio e da indústria.

Para o Cecafé, é necessário que governantes tenham clareza sobre essa realidade de prejuízos na logística portuária para que possam estruturar e executar políticas públicas voltadas a reduzir, com mais rapidez, os gargalos operacionais. A entidade defende que, sem essa resposta, os custos tendem a se repetir e a aumentar.

Investimentos em infraestrutura e diversificação de modais

Como caminho para superar os problemas na infraestrutura portuária, o Cecafé aponta a necessidade de investir na diversificação de modais de transporte, ampliando não só a malha rodoviária, mas também as ligações ferroviárias e hidroviárias integradas aos portos. A entidade destaca ainda a importância de aumentar a oferta de capacidade de pátio e de berços nos terminais, além de aprofundar calados para receber navios de maior porte.

Segundo Heron, somente com esse conjunto de investimentos o país deixará de perder bilhões de dólares em receita. Em termos de logística portuária brasileira, a mensagem é que obras estruturantes e melhorias operacionais precisam acompanhar o crescimento do volume exportado para evitar perdas financeiras recorrentes.

Crescimento do agronegócio pressiona logística portuária

O Cecafé informou que, entre 2016 e 2025, as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 72%, passando de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas. Esse aumento expressivo de volume pressiona a infraestrutura de transporte e, em especial, a capacidade dos portos brasileiros de receber, estocar e embarcar mercadorias com regularidade.

Heron avaliou que, se os investimentos necessários na logística de transporte, incluindo os portos, continuarem em ritmo considerado moroso e burocrático, o comércio exterior poderá seguir acumulando prejuízos. Segundo ele, nesse cenário o país tende a perder competitividade e oportunidades em relação a outros exportadores globais.

Controvérsia sobre o novo terminal de contêineres em Santos

O diretor do Cecafé também fez críticas às regras estabelecidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o edital do leilão do novo terminal de contêineres de Santos, o Tecon Santos 10. Pelos parâmetros definidos, ficam impedidos de participar armadores e empresas que já operam terminais no complexo portuário paulista.

Heron classificou essa restrição como infundada e baseada em especulações hipotéticas, sem evidências. Na visão dele, há possibilidade de que a concessão do futuro terminal seja judicializada, o que poderia atrasar ainda mais a ampliação da capacidade de pátio e de berço no Porto de Santos. Caso isso se confirme, a oferta de infraestrutura pode demorar mais a acompanhar o crescimento da demanda.

Posicionamento do governo ainda não foi divulgado

Procurado pelo veículo de comunicação que divulgou as declarações do Cecafé, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) não havia se manifestado até o fechamento da matéria original. Foi informado que o texto poderá ser atualizado em caso de posicionamento da pasta.

Até o momento, portanto, as críticas e preocupações relatadas são as da entidade setorial, sem resposta oficial divulgada pelas autoridades portuárias e governamentais mencionadas no texto base.

O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC

Para trabalhadores marítimos, aquaviários, fluviais, offshore e profissionais de comércio exterior em Santa Catarina, os alertas do Cecafé sobre a logística portuária brasileira podem se refletir em vários aspectos da rotina. Em termos práticos, filas de caminhões, pátios cheios e atrasos de navios em grandes portos como Santos tendem a impactar a malha logística como um todo, incluindo fluxos que passam por Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul, Itapoá e Imbituba.

Um ponto a observar é a possível concentração de cargas em determinados terminais quando há gargalos em outros, o que pode gerar períodos de pico mais intensos em portos catarinenses. Isso pode significar jornadas mais pressionadas, necessidade de readequação de escalas de bordo, ajustes em janelas de atracação e maior complexidade no planejamento de operações de carga e descarga.

Para despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior, atrasos em embarques e alterações de escala de navios podem exigir reprogramação constante de processos, renegociação de prazos com clientes e atenção redobrada a custos de armazenagem, demurrage e detention. Ainda que o caso relatado tenha foco no café, a lógica se aplica a diversas cargas conteinerizadas que circulam pelos portos de Santa Catarina.

Se os investimentos em infraestrutura portuária e diversificação de modais avançarem, é razoável esperar, no médio e longo prazo, maior previsibilidade nas operações, menor risco de congestionamentos e ganhos de eficiência logística. Por outro lado, se os projetos sofrerem atrasos, a tendência é de manutenção de cenários de pressão operacional, afetando tanto trabalhadores embarcados quanto equipes em terminais, transportadoras e escritórios de comércio exterior.

Pontos de atenção

Um primeiro ponto de atenção para trabalhadores e profissionais de comércio exterior em SC é acompanhar a evolução dos investimentos em infraestrutura portuária brasileira, especialmente em capacidade de pátio, berços e calado nos principais corredores de exportação. Mudanças em Santos e em outros grandes portos podem repercutir diretamente na forma como cargas são distribuídas entre portos da região Sul.

Além disso, vale observar de perto a relação entre crescimento do agronegócio e capacidade logística disponível. Quando o volume exportado cresce mais rápido do que a infraestrutura, aumentam as chances de atrasos, remarcações de navios e custos adicionais que podem chegar à ponta operacional na forma de pressão por produtividade e mudanças de escala.

Outro aspecto importante é acompanhar os desdobramentos do edital do Tecon Santos 10 e possíveis judicializações, já que atrasos em novos terminais tendem a prolongar a sobrecarga sobre a infraestrutura existente. Para quem atua na programação de embarques e na gestão de cargas conteinerizadas, manter canais de informação atualizados com armadores, terminais e operadores logísticos torna-se fundamental para reduzir surpresas.

Por fim, é recomendável que tripulantes, trabalhadores portuários, despachantes e profissionais de comércio exterior mantenham atenção constante a cláusulas contratuais ligadas a prazos, custos de armazenagem e penalidades por atraso. Uma leitura cuidadosa desses pontos e um diálogo permanente com empresas e sindicatos podem ajudar a mitigar impactos negativos de eventuais gargalos na logística portuária brasileira.

Exportações de grãos e fertilizantes em 2025 e o papel dos portos de Santa Catarina
Consulta pública define política nacional de identificação biométrica em portos, hidrovias e aeroportos

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}

Você poderá se interessar