O Fundo da Marinha Mercante (FMM) aprovou financiamento de R$ 2,3 bilhões para a construção de seis embarcações de apoio do tipo PSV no estaleiro Navship, em Navegantes (SC). O projeto, que conta com tecnologia híbrida e previsão de mais de 1.200 empregos diretos, envolve recursos já liberados de R$ 134 milhões e tem como agente financeiro o BNDES. A iniciativa se alinha à agenda de sustentabilidade e transição energética no setor naval brasileiro.
Financiamento do FMM para construção de seis PSVs em SC
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou a aprovação de financiamento de R$ 2,3 bilhões com recursos do Fundo da Marinha Mercante para a construção de seis PSVs (platform supply vessels, embarcações de transporte de suprimentos) no estaleiro Navship, em Navegantes (SC). De acordo com o MPor, que é o gestor do fundo setorial, R$ 134 milhões já foram liberados até o momento.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atua como agente financeiro da operação, estruturando o uso dos recursos do FMM para viabilizar o projeto naval em Santa Catarina. O estaleiro pertence ao grupo norte-americano Edison Chouest, já conhecido por atuar no segmento de apoio marítimo offshore.
Tecnologia híbrida e foco em sustentabilidade
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, as seis embarcações de apoio contarão com tecnologia híbrida, com sistemas flexíveis de combustível e soluções de armazenamento de energia. Essas características têm potencial para reduzir emissões e aumentar a eficiência operacional das operações de suprimento.
Esse tipo de tecnologia híbrida tende a ganhar espaço na navegação de apoio offshore, em linha com a agenda de sustentabilidade e de transição energética do setor naval. Em termos práticos, isso pode significar menor consumo de combustível fóssil, mais automação de sistemas e maior exigência de qualificação técnica das tripulações e das equipes de manutenção.
Geração de empregos no estaleiro Navship
As obras no estaleiro Navship, em Navegantes, têm previsão de geração de mais de 1.200 empregos diretos, conforme destacou o MPor. Trata-se de um volume relevante para a cadeia produtiva regional ligada à indústria naval, ao apoio offshore e à logística marítima.
Embora o texto oficial não detalhe a distribuição desses postos, é razoável supor que as oportunidades envolvam desde mão de obra industrial (soldagem, montagem, tubulação, elétrica, pintura) até profissionais de engenharia, planejamento, logística e apoio administrativo.
Parceria público-privada e papel estratégico do FMM
Ao comentar a encomenda das embarcações, o secretário nacional de hidrovias e navegação do MPor, Otto Luiz Burlier, enfatizou a importância da parceria entre o setor público e a iniciativa privada e destacou o papel estratégico do Fundo da Marinha Mercante para o desenvolvimento nacional.
Segundo o secretário, o uso intensivo dos recursos do FMM visa gerar emprego, renda e fortalecer uma indústria considerada estratégica. Em termos práticos, o fundo funciona como um mecanismo de financiamento de longo prazo para projetos navais, permitindo que estaleiros e armadores tenham acesso a crédito em condições específicas para construção e modernização de embarcações.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Para trabalhadores marítimos e aquaviários em Santa Catarina, a aprovação do financiamento do FMM para construção de seis PSVs em Navegantes pode representar aumento da demanda por mão de obra especializada. Embarcados de apoio offshore, profissionais de manutenção naval, técnicos e engenheiros podem encontrar um ambiente de maior oferta de vagas, ao menos durante o ciclo de construção e entrada em operação das embarcações.
Além disso, a adoção de tecnologia híbrida tende a exigir atualização de competências. Tripulações, oficiais de máquinas, marinheiros e equipes de apoio em terra podem precisar lidar com sistemas de armazenamento de energia, gerenciamento de consumo e automação mais avançada. Um ponto a observar é a eventual ampliação de treinamentos internos, certificações e cursos voltados à operação segura e eficiente desses novos PSVs.
Para despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior em SC, o movimento sinaliza continuidade de investimentos na cadeia de apoio offshore, o que pode refletir em mais operações ligadas à importação de equipamentos, peças, sistemas eletrônicos e componentes para construção naval. Em longo prazo, se esses PSVs forem empregados em operações de apoio à indústria de óleo e gás ou outras atividades marítimas, pode haver reflexos também na movimentação portuária e na necessidade de serviços logísticos e de despacho mais especializados.
Pontos de atenção
Um primeiro ponto de atenção é acompanhar o ritmo efetivo de execução das obras e a abertura concreta de vagas no estaleiro Navship e na cadeia de fornecedores locais. Isso ajuda trabalhadores a planejarem qualificação e possíveis movimentações de carreira. Além disso, é importante observar quais perfis profissionais serão mais demandados, especialmente em funções ligadas à operação de sistemas híbridos, automação e manutenção de equipamentos de alta tecnologia.
Outro aspecto relevante é verificar como os novos PSVs serão integrados às frotas de apoio offshore e quais requisitos operacionais e de certificação serão cobrados das tripulações. Isso pode influenciar diretamente rotinas de treinamento, escala de trabalho e exigências de cursos específicos. Por fim, vale acompanhar as futuras decisões de investimento ligadas ao Fundo da Marinha Mercante em Santa Catarina, pois projetos desse porte tendem a criar ciclos de oportunidade na indústria naval, na logística marítima e nos serviços de comércio exterior vinculados ao setor.
