Fundo da Marinha Mercante amplia recursos para construção naval em 2025 e projeta mais investimentos até 2026

janeiro 28, 2026

O Fundo da Marinha Mercante (FMM) ampliou de forma significativa os recursos para o setor naval e aquaviário em 2025, com destaque para a construção de embarcações e infraestrutura portuária. A previsão de até R$ 34 bilhões para novos projetos em 2026 indica um ciclo de investimentos prolongado que pode impactar estaleiros, armadores, operadores portuários e trabalhadores marítimos em todo o país, incluindo Santa Catarina.

Investimentos do Fundo da Marinha Mercante em 2025

De acordo com dados do Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor), o Fundo da Marinha Mercante destinou R$ 3,85 bilhões ao setor naval e aquaviário em 2025. Esse montante representa crescimento de 107,4% em relação a 2024, o que mostra uma expansão relevante da carteira de apoio ao transporte aquaviário.

A maior parte dos recursos, R$ 2,45 bilhões, foi direcionada à construção de embarcações. Além disso, R$ 361 milhões financiaram obras de infraestrutura portuária e aquaviária, R$ 70,8 milhões foram destinados à modernização de estaleiros e R$ 959,3 milhões corresponderam a ressarcimentos à Receita Federal.

Em termos práticos, esse aumento na destinação de recursos do Fundo da Marinha Mercante tende a favorecer a retomada e a ampliação de projetos de frota, eficiência operacional e melhorias em portos e hidrovias, criando ambiente mais favorável a novas encomendas e às operações de apoio marítimo e fluvial.

Projetos aprovados e contratações no setor naval

No ano passado, foram aprovados 771 projetos que somam R$ 31,8 bilhões em financiamentos. Esses projetos abrangem construção naval, infraestrutura aquaviária e modernização do parque industrial do setor, incluindo estaleiros e instalações de apoio.

Desse total, 152 projetos avançaram para a fase de contratação, com R$ 7,7 bilhões formalizados, o que permitiu o início das obras. Além disso, houve 166 operações com recursos de contas vinculadas, em um total de R$ 708,7 milhões.

Embora os dados não detalhem os tipos específicos de embarcações ou empreendimentos, é razoável esperar que parte desses projetos envolva embarcações de apoio portuário, navegação interior, cabotagem e estruturas ligadas à logística de cargas, segmentos que têm interação direta com trabalhadores marítimos, fluviais e com a cadeia de comércio exterior.

Distribuição regional dos recursos do FMM

Na região Norte, as contas vinculadas ao Fundo da Marinha Mercante anteciparam investimentos, concentrando 53% dos recursos aplicados. Os financiamentos do FMM também se concentraram nas regiões Sul e Sudeste, de acordo com a demanda dos projetos apresentados.

O texto não detalha valores específicos por estado, mas a menção às regiões Sul e Sudeste indica um espaço relevante para empreendimentos em Santa Catarina, dado o peso do estado na navegação de cabotagem, na movimentação portuária e nas operações de comércio exterior.

Previsão de recursos para construção naval em 2026

Para 2026, o Fundo da Marinha Mercante prevê destinar até R$ 34 bilhões a novos projetos de construção naval. Também está prevista a formalização de cerca de R$ 8 bilhões em novas contratações, permitindo que projetos já aprovados avancem para a fase de execução.

Em janeiro de 2026, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a primeira Reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) terá como foco a priorização de projetos portuários. Nessa ocasião, pode haver destinação de até R$ 4,8 bilhões para iniciativas voltadas à ampliação, modernização e eficiência da infraestrutura portuária e aquaviária.

Na prática, isso significa que o ciclo de investimentos do Fundo da Marinha Mercante não se limita a 2025, mas tende a se estender e ganhar força em 2026, com ênfase em construção naval e projetos portuários estruturantes.

O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC

Para trabalhadores marítimos, aquaviários, fluviais, offshore e profissionais do comércio exterior em Santa Catarina, esse aumento da carteira de investimentos do Fundo da Marinha Mercante pode se traduzir em novas oportunidades de trabalho e mudanças na rotina operacional. Sempre respeitando que não há detalhamento por estado, é razoável considerar alguns efeitos possíveis.

Um primeiro impacto provável é a retomada ou ampliação de contratos em empresas de navegação, terminais portuários e estaleiros que consigam acessar financiamentos do Fundo da Marinha Mercante. Isso pode significar maior demanda por tripulações, equipes de manutenção, suporte operacional, despacho aduaneiro e gestão de cargas em portos catarinenses.

Além disso, a priorização de projetos de infraestrutura portuária e aquaviária tende a refletir em rotinas de atracação, carga e descarga, janelas de navios e planejamento logístico. Em termos práticos, trabalhadores embarcados e de terra podem enfrentar ajustes de escala, mudanças de turnos e necessidade de adaptação a novos equipamentos ou sistemas, à medida que obras de ampliação e modernização forem entregues.

Outro ponto a observar é a modernização de estaleiros, que, mesmo sem localização especificada no texto, pode influenciar a demanda por serviços de reparo, docagem e construção em toda a costa. Se projetos em SC forem contemplados, é possível haver maior exigência de qualificação técnica, treinamentos de segurança e atualização em novas tecnologias de embarcações e sistemas de bordo.

Para despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior, o fortalecimento da infraestrutura portuária tende a intensificar a movimentação de cargas e o uso de portos da região Sul. Isso pode significar ampliação de fluxo documental, necessidade de maior organização de prazos e atenção a mudanças de procedimentos internos dos terminais e armadores.

Pontos de atenção

Um primeiro ponto de atenção é acompanhar quais projetos, de fato, serão contratados e executados em Santa Catarina, uma vez que o anúncio traz números nacionais e regionais, mas não discrimina os empreendimentos por estado. Monitorar editais, decisões do CDFMM e anúncios de estaleiros e terminais da região pode ser decisivo para antecipar impactos na rotina de trabalho.

Além disso, é importante observar se os investimentos em construção de embarcações e infraestrutura virão acompanhados de políticas de qualificação e atualização profissional. Trabalhadores podem se preparar buscando cursos e treinamentos que dialoguem com novos tipos de embarcação, tecnologias de automação e requisitos de segurança operacional.

Outro aspecto relevante é a possível concentração de recursos em determinados segmentos, como grandes terminais ou projetos de maior porte, o que pode criar assimetrias entre diferentes portos ou operadores. Em termos práticos, isso pode significar mais oportunidades em alguns polos, enquanto outros enfrentam ritmo de mudança mais lento.

Por fim, vale acompanhar de perto o calendário da primeira reunião do CDFMM em 2026 e os projetos portuários priorizados. A partir dessas definições, será possível ter uma visão mais clara sobre quais obras de ampliação, modernização e eficiência terão impacto direto nas operações em Santa Catarina, permitindo que trabalhadores, sindicatos e empresas ajustem seu planejamento e sua organização para esse novo ciclo de investimentos do Fundo da Marinha Mercante.

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