A movimentação de cargas nos portos brasileiros cresceu de forma consistente em 2025 e atingiu o maior volume já registrado para o período de janeiro a novembro. De acordo com dados do Ministério de Portos e Aeroportos e da Antaq, o desempenho foi puxado principalmente pelo aumento nas exportações de graneis sólidos e líquidos, além de avanços na navegação de longo curso, cabotagem e navegação interior. Esses números indicam um cenário de maior demanda logística para trabalhadores portuários e do comércio exterior em todo o país.
Crescimento recorde de movimentação portuária em 2025
De janeiro a novembro de 2025, a movimentação de cargas nos portos brasileiros cresceu 4,97% e chegou a 1,28 bilhão de toneladas. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, com base em dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), esse é o maior volume já registrado para esse intervalo de 11 meses.
A expectativa do governo federal é de que o total movimentado em 2025 tenha atingido 1,34 bilhão de toneladas ao final do ano, mantendo o ritmo de crescimento observado até novembro.
Desempenho em novembro: alta forte nas principais cargas
Em novembro de 2025, os portos brasileiros movimentaram 118,2 milhões de toneladas, o que representa aumento de 14,5% em relação ao mesmo mês de 2024, de acordo com o Estatístico Aquaviário da Antaq.
Nas cargas de granel sólido (como grãos e minérios), a movimentação atingiu 70,7 milhões de toneladas, com alta de 16,80%. Já o granel líquido (como combustíveis e químicos) somou 28,7 milhões de toneladas, com crescimento de 20,61% na comparação anual.
Movimentação de contêineres e carga geral
A movimentação de cargas conteinerizadas em novembro chegou a 13,9 milhões de toneladas. Desse total, 879 mil toneladas foram no longo curso (rotas internacionais) e 369 mil toneladas na cabotagem (navegação entre portos brasileiros). No conjunto, houve incremento de 7,18% em relação a novembro de 2024.
Por outro lado, no segmento de carga geral não conteinerizada, o volume foi de 4,9 milhões de toneladas, o que significou recuo de 18,32% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Soja, milho e trigo impulsionam o crescimento
As principais movimentações em novembro de 2025, segundo a Antaq, foram de produtos agrícolas exportados a granel. O milho somou 8,3 milhões de toneladas, com aumento de 41,44%. A soja chegou a 4,6 milhões de toneladas, com alta de 82,5% em relação a novembro de 2024.
O trigo movimentou 0,79 milhão de toneladas, com crescimento de 99,52%, praticamente dobrando o volume na comparação anual. Esses resultados reforçam o peso do agronegócio na movimentação portuária brasileira.
Portos públicos e terminais privados em alta
Os portos públicos organizados movimentaram 42,1 milhões de toneladas de cargas em novembro de 2025, o que representou aumento de 17% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Entre esses portos, o destaque foi o Porto de Paranaguá (PR), que movimentou 5,9 milhões de toneladas e registrou crescimento de 44,3% em novembro de 2025.
Nos terminais autorizados (instalações privadas), houve crescimento de 13,1% na movimentação em relação a novembro de 2024, com o volume total chegando a 76,1 milhões de toneladas de cargas. O destaque foi o Terminal Aquaviário de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, com 6,3 milhões de toneladas e alta de 55,7%.
Navegação de longo curso, cabotagem e interior
A navegação de longo curso, que conecta o Brasil a outros países, cresceu 13% em novembro de 2025, alcançando 85,7 milhões de toneladas movimentadas.
A cabotagem, navegação entre portos nacionais, subiu 11,87% e chegou a 26,2 milhões de toneladas. Já a navegação interior, realizada em hidrovias, rios e canais, teve alta de 59,28%, atingindo 6,2 milhões de toneladas.
A movimentação de contêineres, considerando o mês de novembro, cresceu 7,18% e somou 13,8 milhões de toneladas, reforçando a importância desse tipo de carga na logística do comércio exterior.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
O crescimento da movimentação de cargas nos portos brasileiros em 2025 tende a refletir em maior demanda operacional em toda a cadeia logística, inclusive nos portos catarinenses e nos corredores que se conectam a Paranaguá e a outros terminais do Sul e Sudeste. Isso pode significar mais pressão por eficiência nas operações de atracação, carga, descarga, armazenagem e despacho aduaneiro.
Para trabalhadores marítimos e aquaviários embarcados, o aumento da navegação de longo curso e da cabotagem pode se traduzir em maior giro de escalas, mais viagens e mudanças nas rotinas de embarque e desembarque. É razoável esperar incremento de exigências em relação a cumprimento de horários, segurança operacional e padronização de procedimentos.
Para despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior em Santa Catarina, o avanço da movimentação de graneis e contêineres pode significar mais processos simultâneos, maior volume de documentação e necessidade de acompanhamento mais atento de prazos junto a armadores, recintos alfandegados e terminais retroportuários. Um ponto de atenção é a possibilidade de gargalos em janelas de atracação e disponibilidade de slots, o que pode repercutir em custos logísticos para exportadores e importadores.
O destaque do Porto de Paranaguá e de terminais como Angra dos Reis indica competição acirrada entre portos brasileiros. Para os portos catarinenses, isso pode reforçar a necessidade de qualificação contínua das equipes, adoção de boas práticas operacionais e atenção às normas de segurança e meio ambiente, para manter a atratividade de cargas e rotas.
Pontos de atenção
Trabalhadores em Santa Catarina devem acompanhar de perto a evolução da movimentação portuária nacional, pois o crescimento em longo curso, cabotagem e navegação interior tende a impactar o planejamento de escala, jornadas e necessidade de mão de obra especializada. A coordenação entre sindicatos, empresas e autoridades portuárias pode ser decisiva para evitar sobrecarga de equipes.
A forte alta na movimentação de graneis agrícolas, como soja, milho e trigo, pode intensificar picos sazonais de operação. É razoável esperar momentos de maior concentração de navios e cargas, o que exige atenção redobrada a condições de trabalho, segurança, EPIs e respeito a limites legais de jornada.
O crescimento da movimentação de contêineres indica continuidade da relevância desse segmento para exportadores e importadores de Santa Catarina. Um ponto de atenção é o alinhamento de rotinas entre terminais, armadores, transportadores rodoviários e despachantes, para reduzir riscos de atrasos, armazenagem extra e custos adicionais.
A expansão em portos públicos e terminais privados aponta para possíveis mudanças na distribuição de cargas entre diferentes portos da costa brasileira. Profissionais do comércio exterior, marítimos e aquaviários em SC podem se preparar para ajustes em rotas, novos serviços de linha e alterações na preferência de portos por parte de armadores e grandes embarcadores.
Diante desse cenário de aumento de volume, é importante que trabalhadores mantenham atenção às normas de saúde e segurança do trabalho, bem como às negociações coletivas que tratem de compensações, adicionais e condições específicas para períodos de pico operacional, buscando que o crescimento da movimentação portuária venha acompanhado de proteção adequada aos direitos trabalhistas.
