Os portos catarinenses fecharam 2025 com crescimento na movimentação de cargas e contêineres, somando 65,7 milhões de toneladas e superando o resultado de 2024 em 4,78%. O Estado também ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 3 milhões de TEUs em contêineres, consolidando sua importância na logística nacional. Esses números reforçam o papel estratégico da movimentação portuária em Santa Catarina para o comércio exterior e para a economia regional.
Desempenho geral da movimentação portuária em Santa Catarina
Em 2025, os portos de Santa Catarina movimentaram 65,7 milhões de toneladas de cargas. O volume representa um crescimento de 4,78% em relação a 2024, de acordo com dados da Diretoria de Integração de Modais e da Gerência de Portos, da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF), apurados junto aos administradores dos terminais.
Segundo o governo estadual, o resultado decorre de ações de modernização, revitalização e ampliação de capacidade da infraestrutura portuária. A movimentação portuária em Santa Catarina se destaca também no cenário nacional, com desempenho acima da média brasileira, estimada em 4%, conforme avaliação do secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias.
Resultados por porto e terminal em 2025
Na movimentação absoluta de cargas, o Porto de São Francisco do Sul manteve trajetória de crescimento e alcançou 17,5 milhões de toneladas em 2025. Nos últimos três anos, o porto acumula alta de 39% na movimentação.
O Porto Itapoá registrou 15,5 milhões de toneladas movimentadas. A Portonave alcançou 10,8 milhões de toneladas. Já o Terminal Aquaviário de São Francisco do Sul somou 10 milhões de toneladas.
No Sul do Estado, o Porto de Imbituba movimentou 7 milhões de toneladas em 2025. O Porto de Itajaí, por sua vez, fechou o ano com 4,7 milhões de toneladas. Outros terminais no Estado somaram, em conjunto, 376,9 mil toneladas.
Esses números mostram a distribuição da movimentação portuária em Santa Catarina entre diferentes portos, com destaque para São Francisco do Sul, Itapoá e os terminais da região Norte como grandes concentradores de carga.
Mais de 3 milhões de TEUs e 20,5% dos contêineres do país
Na movimentação de contêineres, Santa Catarina ultrapassou, pela primeira vez, a marca histórica de 3 milhões de TEUs (unidade padrão que mede contêiner de 20 pés). O desempenho corresponde a 20,5% de toda a movimentação de contêineres do Brasil, reforçando o peso da movimentação portuária em Santa Catarina no fluxo nacional de cargas conteinerizadas.
O Porto Itapoá atingiu 1,5 milhão de TEUs em 2025, consolidando-se como o maior terminal privado de contêineres do país e o terceiro maior em movimentação total, atrás dos terminais Santos Brasil e BTP, ambos no Porto de Santos.
A Portonave registrou movimentação de 1,1 milhão de TEUs no ano. O Porto de Itajaí alcançou 386,4 mil TEUs, enquanto o Porto de Imbituba somou 106,2 mil TEUs.
Próxima divulgação oficial dos dados pela Antaq
Os dados apresentados são apurações da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, com base em informações dos administradores dos terminais. Os números absolutos e finais da movimentação portuária de Santa Catarina e do Brasil ainda serão divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), com previsão para fevereiro.
Essa divulgação tende a consolidar as estatísticas nacionais e permitir comparações mais detalhadas entre estados, tipos de carga e perfil de operações, o que interessa diretamente a trabalhadores e empresas ligadas ao setor.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Para trabalhadores portuários, marítimos, aquaviários, offshore e profissionais do comércio exterior em Santa Catarina, o aumento da movimentação portuária em Santa Catarina pode significar maior demanda por operações logísticas ao longo de 2025 e nos anos seguintes. É razoável esperar intensificação de rotinas de embarque e desembarque, transporte interno, armazenagem, conferência de cargas e atividades de apoio offshore e de navegação de apoio portuário.
Para trabalhadores embarcados e aquaviários, o crescimento da movimentação de cargas e contêineres tende a se refletir em maior fluxo de navios e barcaças nos portos catarinenses, o que pode impactar escalas, janelas de atracação e organização dos turnos de trabalho, inclusive em horários noturnos e fins de semana. Isso exige atenção redobrada a jornadas, condições de segurança e cumprimento das normas trabalhistas e de saúde e segurança no trabalho.
Para despachantes aduaneiros e profissionais de comércio exterior, o aumento do volume, especialmente de contêineres, tende a ampliar a quantidade de processos de importação e exportação, liberação aduaneira, conferências documentais, regimes especiais e operações com múltiplos modais. Um ponto de atenção é a gestão de prazos, evitando custos extras com armazenagem e demurrage (taxa cobrada por atraso na devolução de contêiner ou no uso do navio além do prazo acordado), em um cenário de maior ocupação dos terminais.
Para os trabalhadores de apoio em transportes rodoviário e ferroviário, a alta na movimentação portuária em Santa Catarina pode pressionar mais a logística terrestre de chegada e saída de cargas. Isso inclui aumento de filas, tempos de espera e necessidade de melhor planejamento de janelas de recebimento e entrega, o que impacta diretamente as rotinas de motoristas, operadores de pátio e equipes de logística.
Como os dados finais da Antaq ainda serão divulgados, os impactos de médio e longo prazo ainda dependem de confirmação e análise detalhada do perfil das cargas (se são mais exportações, importações, cargas de projeto, granel, etc.). Mesmo assim, o cenário apresentado já aponta um ambiente de maior movimento e complexidade operacional nos portos catarinenses.
Pontos de atenção
Um primeiro ponto de atenção é acompanhar a confirmação dos dados pela Antaq em fevereiro, pois isso permitirá comparar a movimentação portuária em Santa Catarina com a de outros estados e identificar tendências por tipo de carga e por porto. Outro aspecto importante é observar se a infraestrutura física e os recursos humanos dos terminais vão acompanhar o ritmo de crescimento, para que o aumento de volume não se traduza em sobrecarga de trabalho, riscos à segurança ou aumento de acidentes.
Também merece acompanhamento como serão organizadas escalas, jornadas e condições de trabalho diante do crescimento da movimentação, em especial para quem atua embarcado, em operações portuárias e em atividades de apoio logístico. Além disso, trabalhadores e entidades representativas devem ficar atentos a eventuais mudanças em procedimentos operacionais, uso de novas tecnologias ou automação, que podem alterar funções, perfis de qualificação exigidos e rotinas do dia a dia.
Por fim, é relevante monitorar de que forma o aumento da movimentação portuária em Santa Catarina se converte em oportunidades de qualificação, empregos e melhores condições de trabalho, e não apenas em maior pressão por produtividade. A atuação sindical organizada é um ponto de atenção permanente para garantir que os ganhos econômicos do setor se traduzam em benefícios concretos para quem faz a operação acontecer no cais, a bordo e nas cadeias de comércio exterior ligadas aos portos catarinenses.
