Trabalhar embarcado exige preparo, disciplina e atenção diária à segurança. Mesmo com avanços em normas internacionais de proteção, o risco de fatalidades no mar continua sendo uma realidade que precisa ser tratada com seriedade.
Para os trabalhadores marítimos em SC, acompanhar como as mortes são registradas e quais causas aparecem com mais frequência ajuda a enxergar onde estão os principais pontos de prevenção: saúde, acidentes de trabalho, queda ao mar e também fatores psicossociais.
O que aconteceu
No cenário internacional, vem sendo estruturado um registro global de fatalidades no mar, ligado a padrões previstos na Convenção do Trabalho Marítimo (MLC, 2006). Ainda não existe um banco de dados global completo para todas as causas de morte de marítimos, mas houve uma coleta experimental em 2024 e uma primeira coleta oficial em 2025.
Na prática, isso significa mais foco em dados comparáveis para entender melhor o que está acontecendo com a segurança e a saúde de quem trabalha no mar.
Por que o tema importa para a categoria
O monitoramento de mortes no mar não é estatística fria. Ele serve para avaliar riscos de saúde e segurança, identificar prioridades de prevenção e reforçar a responsabilização para melhorar condições de trabalho e de vida a bordo.
Para os trabalhadores marítimos em SC, esse tipo de informação pode ajudar a direcionar cobranças e melhorias em rotinas de bordo que fazem diferença de verdade: treinamento, procedimentos, manutenção, jornada, descanso, prontidão médica e resposta a emergências.
O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC
Os dados reportados para 2024 por 66 países, abrangendo 449 mortes, apontam padrões que ajudam a enxergar onde a prevenção precisa ser mais forte. As causas relacionadas à saúde representaram a maior parte das mortes relatadas (245), com menção a doenças súbitas, incluindo eventos cardiovasculares, e ao fato de que acesso limitado a atendimento imediato e demora na evacuação podem agravar riscos.
As fatalidades por acidentes de trabalho somaram 86 e aparecem ligadas a operações a bordo como manuseio de carga, manutenção, amarração e também a escorregões, tropeços e quedas. Também houve registros de pessoas que caíram ao mar (36) e de suicídios (26), o que chama atenção para procedimentos de segurança e para temas como fadiga, saúde mental e riscos psicossociais.
Em termos práticos, para os trabalhadores marítimos em SC isso reforça a necessidade de protocolos claros, treinamento contínuo e condições reais para cumprir procedimentos sem improviso, especialmente em operações críticas e em situações de pressão, cansaço ou risco de acidente.
Pontos de atenção
Um primeiro ponto é tratar saúde a bordo como item de segurança: sintomas, mal-estar e sinais de alerta não devem ser normalizados, porque a demora de atendimento no mar pode pesar. Além disso, vale observar se as rotinas de trabalho e descanso estão sendo cumpridas de forma que reduza fadiga, já que ela pode aumentar a chance de falhas e acidentes.
Outro aspecto é a prevenção de acidentes de trabalho: procedimentos de amarração, manutenção e movimentação de carga precisam de planejamento, comunicação e uso correto de equipamentos, sem “atalhos” em nome da pressa. Também é importante reforçar medidas para evitar queda ao mar, com atenção a barreiras, sinalização, iluminação, uso de EPIs quando aplicável e disciplina operacional em áreas de risco.
Por fim, saúde mental e riscos psicossociais devem ser levados a sério. Quando houver sinais de sofrimento, isolamento extremo ou estresse fora do normal, o cuidado deve ser procurar apoio dentro dos canais disponíveis a bordo e comunicar a situação para que haja registro e providências. O SIMETASC segue acompanhando temas de segurança e condições de trabalho que impactam diretamente os trabalhadores marítimos em SC.
