Construção naval em Santa Catarina: encomendas de embarcações e o que isso pode significar para trabalhadores marítimos em SC

junho 28, 2026

Santa Catarina está no centro de um ciclo relevante de encomendas na construção naval, com obras em andamento em estaleiros de Itajaí e Navegantes. A previsão divulgada envolve a construção de embarcações ligadas ao Sistema Petrobras, incluindo unidades de apoio marítimo offshore e embarcações para a frota da Transpetro.

Para os trabalhadores marítimos em SC, o tema importa porque mexe com emprego, qualificação, segurança e rotinas de trabalho embarcado e em estaleiros. Entender o que está em jogo ajuda a categoria a se organizar e a cobrar condições adequadas.

O que aconteceu

Foi indicada a previsão de construção de 42 embarcações em Santa Catarina, com estimativa de R$ 12 bilhões em investimentos. Nos estaleiros Detroit (Itajaí) e Navship (Navegantes), estão em andamento 16 embarcações de apoio marítimo: seis PSVs (transporte de suprimento) e quatro OSRV (combate ao derramamento de óleo) em Itajaí, além de outros seis PSVs em Navegantes.

Também está prevista, em estaleiros de Navegantes, a construção de oito embarcações do tipo RSV (suporte para engenharia submarina) para atender a Petrobras e de 18 empurradores destinados à renovação da frota da Transpetro. Foi informado ainda que mais de dois mil profissionais estão diretamente mobilizados nos dois estaleiros, e que, somando as obras, a previsão é de mais de cinco mil postos de trabalho diretos nos estaleiros catarinenses.

Essas embarcações integram o programa Mar Aberto, voltado à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras. O programa prevê, no total, a construção de 96 embarcações até 2032, com investimentos estimados de R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira.

Por que o tema importa para a categoria

Quando há continuidade de obras na indústria naval, isso pode significar mais vagas e maior circulação de contratos em estaleiros e operações associadas. Para os trabalhadores marítimos em SC, o impacto não é só em quantidade de postos: entra também a discussão sobre jornada, escala, condições de segurança, treinamento e respeito às normas e instrumentos coletivos aplicáveis.

Outro ponto importante é que parte dessas embarcações tem perfil ligado a atividades offshore e suporte a operações sensíveis, como transporte de suprimentos e resposta a derramamento de óleo. Isso exige atenção redobrada a procedimentos, qualificação e cultura de segurança, tanto na fase de construção quanto na operação.

Além disso, foi indicada exigência mínima de 40% de nacionalização na etapa de construção das embarcações no âmbito do programa, com financiamento do Fundo da Marinha Mercante (FMM). Em termos práticos, isso tende a manter parte da cadeia produtiva e do trabalho no país, com reflexos em Santa Catarina.

O que isso pode mudar na prática para trabalhadores em SC

Para trabalhadores marítimos em SC, um efeito possível é o aumento de demanda por mão de obra embarcada e de apoio, a depender do cronograma de entrega e de entrada em operação das embarcações. Isso pode movimentar contratações, terceirizações e troca de equipes, exigindo atenção a registro correto, função exercida e condições de embarque e desembarque.

Outro impacto pode aparecer na qualificação. As embarcações citadas incluem projetos com novos sistemas de geração e distribuição de energia, banco de baterias, controle por telemetria de consumos e possibilidade futura de conversão para operação parcial com combustível renovável, além de tecnologias de pintura e sistemas anti-incrustação. Sempre que há atualização tecnológica, cresce a necessidade de treinamento e de procedimentos claros para operar com segurança e evitar improviso.

Também é razoável observar reflexos nas condições de segurança e saúde, especialmente em ambientes com trabalho em altura, espaços confinados, movimentação de cargas, solda, pintura e testes. Para a categoria, a atenção deve recair sobre dimensionamento de equipe, fornecimento e uso de EPIs, análises de risco, pausas, controle de fadiga e comunicação de incidentes.

Pontos de atenção

Um primeiro ponto é acompanhar como as contratações e mobilizações serão conduzidas, conferindo se a função, o regime de trabalho e os adicionais aplicáveis estão corretos e se a documentação do trabalhador acompanha a realidade do posto. Além disso, vale observar como serão tratadas as exigências de treinamento e familiarização com novos sistemas, porque tecnologia sem capacitação tende a virar risco no dia a dia. Outro aspecto é a segurança: se houver pressão por prazo, é importante que a categoria registre situações de risco, recuse tarefas inseguras quando necessário e acione os canais adequados, mantendo evidências básicas (ordens, escalas, comunicações) sem exposição indevida. Por fim, quando surgirem dúvidas sobre enquadramento, jornada, condições embarcadas, mudanças de escala ou aplicação de instrumentos coletivos, procure o SIMETASC para orientar o encaminhamento coletivo e fortalecer a proteção aos trabalhadores marítimos em SC.

Segurança portuária em alta: Porto de Imbituba renova certificação ISPS Code e reforça proteção nas operações
Falta de oficiais no transporte marítimo até 2030: o que isso pode significar para trabalhadores marítimos em SC

Deixe um comentário

Your email address will not be published. Required fields are marked

{"email":"Email address invalid","url":"Website address invalid","required":"Required field missing"}

Você poderá se interessar